Arquivo das mulheres apagadas — reais e ficcionais no mesmo plano. O que foi feito desaparecer, reescrito de volta à existência. Cada entrada é uma ficha, uma biografia, uma obra, um artefacto, um arquétipo, uma deusa.
Tese: O apagamento não distingue entre a mulher histórica e a personagem. Uma foi apagada pela história, a outra nunca teve direito a entrar nela. Para o arquivo, valem o mesmo.
Princípio: Real e ficcional no mesmo plano. O arquivo como acto político.
Ligações: Looking Glass · Deusas e Asteróides · Galeria das Sombras (Trello)
Cada mulher tem uma subpágina com esta estrutura:
1. Ficha — categoria de apagamento, estado espectral, vestígios conhecidos, palavras-chave, etiquetas
2. Biografia — vida, contexto, o que foi feito ao seu trabalho ou à sua memória
3. Obra — o que produziu (se existir)
4. Contexto histórico — o mundo que a rodeava e que a apagou
5. Artefactos — objectos reais ou imaginários que lhe podem ser atribuídos
6. Arquétipo — a figura psicológica que encarna
7. Deusa correspondente — a figura mitológica que lhe ressoa
As categorias que emergiram do próprio arquivo — onze formas diferentes de desaparecer:
| Figura | Categoria de apagamento |
|---|---|
| Maria Sophia von Erthal | Mitificação retrospectiva |
| Sybil Vane | Destruição pela idealização estética |
| Estela de Aragão | Soterramento histórico |
| Emma Jung | Eclipse intelectual e absorção historiográfica |
| Maria Anna Mozart | Silenciamento estrutural e eclipse canónico |
| Emily Dickinson | Invisibilidade voluntária e oclutação textual |
| Irène Némirovsky | Destruição física e preservação fragmentada |
| Zelda Fitzgerald | Absorção pela mitologia pública e combustão identitária |
| Hedy Lamarr | Absorção pela imagem |
| Mariana | Servidão afectiva e apagamento de classe |
| Hilma af Klint | Deslocamento temporal e invisibilidade institucional |