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A linhagem enquanto palimpsesto da história da Península Ibérica.
Uma genealogia familiar pode constituir uma forma legítima de investigação histórica quando submetida ao confronto com fontes, cronologias e contextos.
Uma árvore genealogica não regista apenas parentesco — regista deslocações, mudanças de estatuto, conflitos políticos e transformações sociais. Cada antepassado é um ponto onde a história individual e a história colectiva se cruzam.
O campo propõe ler a linhagem como arquivo: um conjunto de inscrições dispersas — documentos, petições, registos paroquiais, tradições orais, objectos familiares — que, reunidas e confrontadas, permitem reconstruir não apenas uma família, mas o tecido histórico que a atravessou.
Neste campo, anamnese designa a recuperação de figuras que sobreviveram de forma fragmentária: nomes reduzidos a uma data, vidas conservadas numa única petição, presenças que a história oficial registou apenas de passagem.
A distinção epistemológica é central: o que está documentado, o que é provável, o que foi transmitido pela tradição familiar e o que é reconstruído pela ficção permanecem claramente assinalados.