Torre de Obsidiana


Os três tempos sobrepostos do Porto espectral.


A Torre lê o Porto através de três estratos que coexistem sob a superfície da cidade contemporânea. Não são períodos sucessivos — são camadas simultâneas, presentes ao mesmo tempo no mesmo espaço.

I. O Porto oitocentista

Pedra escura, luto romântico, poética sepulcral. É o Porto da melancolia ultra-romântica, dos cemitérios, da humidade granítica. A figura tutelar deste estrato é Soares de Passos e a sua poética sepulcral — o Porto como cidade do luto e da pedra.

II. O Porto dos anos noventa

Subcultura darkwave, melancolia adolescente. É o Porto da juventude da autora — a estética gótica e darkwave, os espaços nocturnos, a melancolia de uma geração. Este estrato é simultaneamente objecto de estudo e matéria autobiográfica.

III. O Porto privado

Memória familiar, a figura do avô. É o Porto mais íntimo — o da infância e da memória pessoal. Aqui a auto-etnografia torna-se o método: a cidade lida através da biografia, o espaço urbano atravessado pela perda.


Os três estratos não se separam de forma limpa — sobrepõem-se, contaminam-se. A mesma rua pode pertencer aos três tempos ao mesmo tempo. É essa sobreposição que a Torre procura tornar legível.