Deep mapping urbano, hauntologia, psicogeografia e auto-etnografia.
A Torre aplica ao espaço urbano o método que o campo Território aplica à paisagem: a acumulação de camadas heterogéneas em torno de um lugar. A diferença é a escala e o objecto — a cidade em vez do corredor atlântico.
Conceito de Jacques Derrida, desenvolvido por Mark Fisher: a presença persistente do que já não existe, ou do que nunca chegou a existir. A cidade é lida como espaço assombrado — pelos futuros perdidos, pelas subculturas extintas, pelos tempos sobrepostos.
Na linhagem situacionista, a dérive — a deriva pela cidade guiada pelo afecto e não pela função. Caminhar o Porto contra o seu uso turístico, deixando que a memória e a associação conduzam o percurso.
O método que distingue a Torre dos outros campos: a investigação passa pela biografia da autora. O Porto da infância, a figura do avô, a juventude darkwave — a cidade lida através da própria vida, com a distância crítica necessária para não a reduzir a nostalgia.
Italo Calvino (As Cidades Invisíveis) fornece a matriz de leitura: a cidade como construção imaginária e plural, feita de camadas de desejo, memória e signo. A Torre de Obsidiana é uma das cidades invisíveis — com alicerces reais.