Território


Deep mapping, mitogeografia, cartografia simbólica, escrita do território e investigação situada.


A investigação articula cinco práticas que se complementam. Nenhuma delas é suficiente isoladamente: é na sua combinação que o território se torna legível como arquivo.

Deep mapping

A cartografia profunda acumula materiais heterogéneos em torno de um lugar: história, arqueologia, geologia, memória oral, sensação, deslocação, experiência e imagem.

O objectivo é restituir espessura ao território, permitindo que um lugar seja lido através de diferentes tempos, disciplinas e formas de conhecimento. Em vez de reduzir um sítio a uma única narrativa, o deep mapping mantém a coexistência de várias.

Referências: William Least Heat-Moon (PrairyErth), Mike Pearson e Michael Shanks (Theatre/Archaeology).

Mitogeografia

Desenvolvida pelo colectivo Wrights & Sites e por autores como Phil Smith, a mitogeografia introduz a caminhada, a deriva, a observação situada e a leitura imaginativa do espaço como procedimentos de investigação.

O mito é abordado como forma de relação com o lugar e como estrutura cultural de produção de sentido, mesmo quando não constitui uma fonte histórica verificável. A mitogeografia permite trabalhar o simbólico sem o confundir com o documentado.

Cartografia simbólica

A cartografia simbólica regista a distribuição do sentido no território: figuras mitológicas, narrativas, lugares de água, espaços de passagem, santuários, ruínas, topónimos e recorrências simbólicas.

Funciona como instrumento interpretativo e relacional, mantendo-se distinta da cartografia geográfica e arqueológica convencional. Cada mapa isola uma camada — águas, serpentes, mouras, santuários — e torna visíveis relações que um mapa convencional não mostraria.

Escrita do território

A caminhada transforma-se em escrita. O percurso, a observação, a associação e o desvio tornam-se parte do método.

Esta prática aproxima-se de obras como Os Anéis de Saturno, de W. G. Sebald, e As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino, preservando a coexistência entre documento, experiência, memória, imagem e imaginação. A escrita não relata a investigação depois de feita — é ela própria uma forma de investigar.

Caminhada e observação situada

A presença física no território é condição do método. A investigação não ocorre apenas no arquivo ou na biblioteca — ocorre no percurso, na paragem, na atenção ao detalhe e na relação directa com o lugar.